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Publicada 22/08/2012
Mais de 10 mil trabalhadores exigem Reforma Agrária, já!
Mais de 10 mil trabalhadores rurais integraram nesta quarta-feira (22/8) uma marcha, na Esplanada dos Ministérios, para protestar contra o agronegócio e a paralisação da reforma agrária. Eles participaram do Encontro Unitário dos Trabalhadores e Trabalhadoras e Povos do Campo, das Águas e das Florestas. São trabalhadores sem-terra, pequenos agricultores, indígenas, pescadores, posseiros e quilombolas, e reivindicam um programa comum para a democratização do campo e acesso à educação, assim como uma unidade da luta contra o agronegócio e os agrotóxicos.
Após dar a volta na Praça dos Três Poderes, os trabalhadores realizaram um protesto em frente ao Palácio do Planalto. De lá, rumaram para o gramado em frente ao Congresso Nacional e encerram o ato denunciando a paralisação da reforma agrária, a aliança do governo com o agronegócio e a complacência do Estado com tal modelo de produção.
O movimento denunciou os malefícios do agronegócio e a inviabilidade econômica, social e ambiental desse modelo, já que sua base de produção está alicerçada na enorme utilização de agrotóxicos, na alta concentração da terra, na ampliação da pobreza, na não geração de emprego no meio rural, na expulsão das famílias do campo e na produção de commodities para exportação.
Os movimentos sociais exigem do governo a mudança do modelo de produção agrícola, levando para o centro do debate a necessidade da realização da reforma agrária para a superação da pobreza.
A marcha foi engrossada por servidores federais de diversas categorias, em greve há mais dois meses. Para o secretário de Política Social da CUT-DF, Ismael José César, este ato reforça as reivindicações da classe trabalhadora como um todo para que o governo possa alocar recursos ao atendimento de todas as reivindicações, inclusive para os servidores em greve no momento.
História - A marcha de hoje celebra os 51 anos do primeiro e único Congresso Camponês, que aconteceu em 1961, quando vários movimentos sociais do campo brasileiro se uniram em torno de uma luta comum. Segundo a coordenação nacional do MST, o evento é importante para que se defina uma unidade nas lutas dos movimentos sociais do campo.
Segundo o secretário de Políticas Sociais da CUT, Expedito Solaney, a passeata foi carregada de simbolismo histórico, uma vez que representa a unidade dos movimentos do campo. "A pauta é clara e objetiva: reforma agrária, já. Depois, o que se deriva dela, como o limite das propriedades rurais e mais financiamento, por exemplo".
O mesmo pensa a secretária de Comunicação da Central, Rosane Bertotti. "Este ato traz em si duas demonstrações: a luta do campo e a unidade da luta", disse.
A vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura (Contag), Alessandra Lunas, disse que o objetivo foi sensibilizar as autoridades e mostrar que há um descontentamento geral no campo em relação às políticas públicas adotadas no país. “É necessário colocar na agenda política a reforma agrária integral, que inclui a adoção de políticas públicas de sustentabilidade”, acrescentou.
Secretaria de Comunicação da CUT-DF
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